8 de março: Reflexões sobre a Saúde Mental da Mulher
Saúde mental
02/03/2026 | Por: Psicólogo Rybeiro
Autocuidado é necessário.
(FA)
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é tradicionalmente marcado por homenagens e reconhecimento das conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres. No entanto, para além das celebrações, essa data também é um convite necessário à reflexão sobre um tema urgente: a saúde mental da mulher.
Ao longo da história, as mulheres têm acumulado múltiplas funções — profissionais, familiares, maternas e sociais — frequentemente acompanhadas de cobranças internas e externas. A chamada “dupla” ou até “tripla jornada” impacta diretamente o equilíbrio emocional, contribuindo para níveis elevados de estresse, ansiedade e esgotamento.
A sobrecarga invisível
Muitas mulheres assumem responsabilidades relacionadas ao cuidado — dos filhos, dos pais, da casa, do trabalho — muitas vezes negligenciando o próprio autocuidado. Essa sobrecarga invisível pode gerar sentimentos de culpa, insuficiência e exaustão crônica.
Além disso, fatores como desigualdade salarial, violência de gênero, pressão estética e discriminação estrutural intensificam o sofrimento psíquico. Estudos apontam que mulheres apresentam maiores índices de ansiedade e depressão quando comparadas aos homens, reflexo de um contexto social que ainda impõe barreiras significativas à equidade.
Violência e saúde mental
A violência — seja física, psicológica, moral ou patrimonial — deixa marcas profundas na saúde emocional. O medo constante, o isolamento e a desvalorização corroroem a autoestima e podem desencadear transtornos mentais. Falar sobre saúde mental feminina também é falar sobre segurança, respeito e direitos.
A importância do autocuidado e da rede de apoio
Promover a saúde mental da mulher envolve criar espaços seguros de escuta, acolhimento e diálogo. Terapia, grupos de apoio, políticas públicas eficazes e ambientes de trabalho mais humanizados são fundamentais.
O autocuidado não deve ser visto como luxo, mas como necessidade. Reservar tempo para si, estabelecer limites e reconhecer vulnerabilidades são atitudes que fortalecem a saúde emocional.
Um compromisso coletivo
Refletir sobre a saúde mental da mulher no 8 de março é reconhecer que o bem-estar feminino não é responsabilidade individual, mas um compromisso coletivo. É papel da sociedade promover igualdade, reduzir violências e construir ambientes que respeitem os limites e a dignidade das mulheres.
Mais do que flores, que o 8 de março seja marcado por escuta, empatia e ação concreta em favor da saúde mental feminina.